ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
ENFERMAGEM; PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO
062
SILVA, E. S. et al. Multidimensionalidade do trabalho precário de enfermeiros da Atenção Primária à Saúde na Bahia. Trabalho, Educação e Saúde, v. 24, p. e03388323, 2026. Disponível em Scielo
A precarização do trabalho representa um sistema político de submissão dos trabalhadores à exploração, que também alcança os as) enfermeiros (as) de Atenção Primária à Saúde e pode ser influenciado por características locorregionais. Objetivou-se descrever a multidimensionalidade do trabalho precário em enfermeiros desse tipo de atenção nas macrorregiões da Bahia. Realizou-se pesquisa quantitativa, entre os anos 2019 e 2021, com 498 enfermeiros, cujo recorte analítico considerou as multidimensões da precarização do trabalho (emprego, gestão do trabalho, rendimento e representação). A análise pautou-se na descrição das variáveis sociodemográficas, formativas, laborais e relativas à precarização do trabalho. Dentre as dimensões da precarização, observou-se que a macrorregião Norte tem o maior número de profissionais com contratos temporários (63,8%) e em regulares condições de trabalho (50,0%); a Oeste, menor faixa salarial (82,0%); e a Centro-Leste, o menor número de enfermeiros que recebem insalubridade (68,8%). A macrorregião Nordeste possui o maior número de não filiados a entidades representativas (97,1%). O estudo sinalizou a ausência de uma norma geral balizadora para os modelos jurídicos implementados nas macrorregiões, bem como de uma política de valorização dos profissionais. Também buscou contribuir para a identificação das características da precarização dos enfermeiros da Atenção Primária na Bahia e constatou essa necessidade para adequação das condições de trabalho.
PROFISSIONAIS DA SAÚDE; SAÚDE MENTAL; SOFRIMENTO MENTAL; TRANSTORNOS MENTAIS
063
VENTURA, C. A. A. et al. Atenção Primária à Saúde na percepção de pessoas com necessidades de cuidado em saúde mental: desafios, expectativas e recomendações. Trabalho, Educação e Saúde, v. 24, p. e03349312, 2026. Disponível em Scielo
A Atenção Primária à Saúde é essencial no primeiro acesso às demandas de saúde mental, integrando-se à Rede de Atenção Psicossocial. Este estudo qualitativo teve como objetivo explorar as percepções de pessoas com necessidades de cuidado em saúde mental sobre o atendimento recebido em unidades de Atenção Primária à Saúde, buscando compreender os desafios, as expectativas e as recomendações. Realizado entre janeiro e setembro de 2021 em seis Unidades de Saúde da Família de um município de São Paulo, Brasil, envolveu entrevistas semiestruturadas com 22 usuários, submetidas à análise temática de Braun e Clarke. Os resultados indicaram que, embora os serviços sejam vistos como acolhedores, há relatos de deficiências no preparo dos profissionais para lidar com demandas de saúde mental. Os participantes enfatizaram a necessidade de maior empatia, capacitação e disponibilidade dos profissionais, além de destacarem a importância de práticas de escuta ativa e respeito à autonomia dos usuários. Foram propostas melhorias no atendimento, como a ampliação de equipes multidisciplinares, a criação de grupos terapêuticos e maior integração entre saúde mental e Atenção Primária à Saúde. O estudo reforça o papel da Atenção Primária à Saúde como espaço estratégico para o cuidado em saúde mental, apontando estratégias para o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial.