EDUCAÇÃO MÉDICA; MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE; RECURSOS HUMANOS EM SAÚDE; AMÉRICAS
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PUERTAS DONOSO, E. et al. Formação e prática da força de trabalho em medicina de família e comunidade na Região das Américas. Revista Panamericana de Salud Pública, 49:125, 2025. Disponível em Scielo
Este estudo procurou analisar a situação atual da formação e da prática em medicina de família e da medicina de família e comunidade para identificar lacunas nessas especialidades e oportunidades de implementação de ações estratégicas para fortalecer a força de trabalho em saúde. Métodos. Este artigo apresenta os resultados de um estudo observacional, analítico e transversal realizado em países da Região das Américas da Organização Mundial da Saúde em 2024. Aplicou-se um questionário contendo 22 perguntas a membros de associações profissionais de medicina de família e médicos de família e comunidade, e outro contendo 12 perguntas a especialistas dessa área. Participaram do estudo 19 associações profissionais e 291 especialistas. Os dados foram analisados usando estatística descritiva e análise de conteúdo. Resultados. A formação em medicina de família e medicina de família e comunidade é realizada principalmente por meio de programas de especialização (68,4%, 13/19) e residência (63,2%, 12/19), sendo necessário um exame de competência em 63,2% (12/19) dos 23 países incluídos no estudo, representados por 19 associações profissionais. Os programas de formação abrangem temas pertinentes à prática profissional, mas é preciso avançar mais, sobretudo na abordagem de temas emergentes. Há poucas oportunidades de formação continuada, conforme relatado por 53,7% (29/54) dos especialistas da América Central, Caribe latino e México, e por 35,0% (79/226) dos especialistas da América do Sul. Há uma lacuna nas ações destinadas a melhorar as condições de trabalho, sendo que políticas de bem-estar e retenção estão implementadas em apenas 36,8% (7/19) dos países. Além disso, as respostas a perguntas discursivas indicaram que muitos profissionais tinham uma carga de trabalho excessiva e que seus empregos eram precarizados e sem segurança, com remuneração incompatível com suas funções, infraestrutura inadequada e falta de recursos para o exercício da profissão. Apesar das limitações de amostragem relacionadas ao delineamento não probabilístico do estudo e da participação desigual entre os países, este estudo fornece evidências valiosas sobre formação e o exercício da profissão em medicina de família e comunidade na Região das Américas. Conclusão. Embora a medicina de família e a medicina de família e comunidade tenham sido estabelecidas há mais de três décadas na Região, esse campo enfrenta grandes desafios de implementação. São necessários investimentos estratégicos para reforçar o reconhecimento e a percepção do valor da medicina de família e comunidade como uma especialidade, assegurar condições adequadas de trabalho e melhorar a qualidade da formação. O fortalecimento da medicina de família e comunidade por meio de ações coordenadas entre várias partes interessadas é essencial para que sejam construídos sistemas de saúde resilientes fundamentados na atenção primária à saúde.