“Não perca o ritmo” : 29/9 – Dia Mundial do Coração 2026
O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, anualmente, foi criado em 1999 pela World Heart Federation (WHF) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por iniciativa do cardiologista Antoni Bayés de Luna, então presidente da WHF.
Inicialmente celebrada no último domingo de setembro, a partir de 2011 a data foi fixada em 29/9 para unificar os eventos mundiais em prol de hábitos saudáveis, prevenção e políticas públicas de saúde, tornando-se a maior campanha global dedicada à conscientização sobre as doenças cardiovasculares (DCV), que continuam sendo a principal causa de mortalidade no mundo.
Em 2026, o tema “Não perca o ritmo”, segue como um chamado para aumentar a conscientização sobre os sinais e sintomas das condições/doenças cardiovasculares, responsáveis por 20 milhões de óbitos por ano.
Uma em cada cinco pessoas morrerá prematuramente devido a doenças cardiovasculares, que provocam mais mortes do que o câncer e as doenças respiratórias crônicas combinados. No entanto, até 80% dos casos de DCV e de acidentes vasculares cerebrais podem ser prevenidos, por meio da adoção de estilos de vida mais saudáveis e da redução dos principais fatores de risco.
No Brasil, doenças cardiovasculares e/ou doenças do aparelho circulatório, como infarto, hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC), mataram mais de 400 mil pessoas em 2022, o que equivale a 1.096 mortes por dia, 46 por hora, 1 a cada 90 segundos.
Assim como a maioria das doenças, as cardiovasculares e circulatórias não impactam os variados grupos de pessoas da mesma forma. Há fatores de risco genéticos e comportamentais, além de determinantes sociais de saúde, que influenciam a prevalência e a mortalidade.
A prevalência e a mortalidade por doenças do aparelho circulatório aumentam conforme a idade e são mais altas nas pessoas acima de 65 anos. Em 2022, 72,7% das mortes no país corresponderam a essa faixa etária, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM / Datasus), seguida de 15% entre 55 e 64 anos.
Embora doenças cardiovasculares já tenham sido tradicionalmente associadas aos homens, os números absolutos evidenciam a necessidade de cuidados para ambos os gêneros. A hipertensão, por exemplo, é mais prevalente em mulheres que em homens nas capitais brasileiras, conforme evidenciam dados históricos do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde (Vigitel).
Uma das razões é a ocorrência da menopausa, cujas mudanças hormonais podem provocar aumento de colesterol, triglicérides e pressão arterial, e consequentemente mais problemas cardíacos em mulheres. Em 2022, 52,5% dos óbitos foram de homens (210.181) e 47,5% de mulheres (189.946) – e as mortes foram maioria na faixa etária de 65 anos ou mais.
Por fim, o nível de escolaridade também desempenha um papel significativo na mortalidade. Pessoas com menos anos de estudo têm maiores taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares: 63,8% das mortes no Brasil em 2022 aconteceram entre pessoas que tinham até sete anos de estudo, em comparação a 5,5% entre quem estudou 12 anos ou mais. Isso é um reflexo de desigualdades no acesso à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, além de maior exposição a fatores de risco, como alimentação não saudável.
Como prevenir as doenças do aparelho circulatório: cuidados essenciais para a saúde cardiovascular
Apesar dos números alarmantes, muitas doenças cardiovasculares podem ser prevenidas com mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco. Algumas das principais medidas são:
– Controle de doenças que também são fatores de risco: Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) como hipertensão, diabetes e obesidade são condições que exigem acompanhamento médico regular, pois também podem ser agravantes de outras doenças cardiovasculares e circulatórias.
– Alimentação saudável: priorizar alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes e grãos integrais, e reduzir o consumo de gorduras saturadas, sal, açúcar e, principalmente, alimentos ultraprocessados.
– Atividade física regular: a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é praticar ao menos 150 minutos de atividades físicas moderadas por semana. Isso ajuda a controlar o peso e a reduzir os níveis de pressão arterial e colesterol.
– Abandono do tabagismo: o hábito de fumar está diretamente ligado ao câncer de pulmão, traqueia e brônquios e a problemas cardiovasculares. Quem fuma tem risco elevado de infarto e AVC. Parar de fumar reduz significativamente esses riscos, além de melhorar a saúde geral.
Compreender o perfil das pessoas mais acometidas por doenças cardiovasculares ajuda a direcionar ações de prevenção e políticas públicas de saúde. A promoção de hábitos saudáveis e o combate a fatores de risco são passos fundamentais para reduzir as taxas alarmantes de mortalidade e melhorar a qualidade de vida da população.
Como parte das atividades alusivas ao Dia Mundial do Coração, em 23/9/2026 houve o lançamento do número especial da Revista Pan‑Americana de Saúde Pública (RPSP) sobre a HEARTS – uma iniciativa global liderada pela OMS envolvendo vários atores mundiais – que está sendo implementada e expandida em 33 países da Região das Américas.
O projeto busca integrar-se de forma contínua e progressiva aos serviços de saúde já existentes para promover a adoção das melhores práticas globais na prevenção e controle de doenças cardiovasculares e melhorar o desempenho dos serviços por meio de um melhor controle da hipertensão e da promoção de prevenção secundária com ênfase na atenção primária à saúde.
O objetivo é tornar a HEARTS um modelo institucionalizado de gestão de riscos cardiovasculares nas Américas, até 2027.
O fascículo especial da RPSP reúne artigos de autoria das equipes de implementação, ministérios da saúde e parceiros acadêmicos de vários países da Região, documentando resultados, lições aprendidas e inovações geradas pela comunidade de prática HEARTS. Em conjunto, essas experiências fornecem evidências sobre a eficácia do modelo, o progresso e os desafios de sua implementação, bem como sua contribuição para melhorar a qualidade, a organização e os resultados dos serviços de saúde.
Fontes:
Biblioteca do Instituto do Coração / INCOR / USP
Observatório da Saúde Pública
Organização Pan‑Americana da Saúde (OPAS)
Sociedade Brasileira de Cardiologia – Cardiômetro
World Heart Federation (WHF)