“Juntos somos mais fortes!” : 28/9 – Dia Mundial contra a Raiva 2026

O Dia Mundial contra a Raiva, celebrado anualmente em 28 de setembro, desde 2007, foi estabelecido pela Global Alliance for Rabies Control (GARC) e reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o propósito de conscientizar sobre a prevenção dessa doença e promover ações coordenadas para alcançar sua meta de eliminação até 2030.

A data homenageia Louis Pasteur, falecido nesse dia em 1895, e pioneiro no desenvolvimento da vacina antirrábica. Suas descobertas em múltiplas áreas das ciências naturais, bem como suas contribuições fundamentais para a saúde pública permitiram, e continuam permitindo salvar inúmeras vidas ao redor do mundo.

A raiva é uma zoonose viral que causa a morte de milhares de pessoas todos os anos, mas é 100% prevenível por meio da vacinação dos animais, da vigilância epidemiológica, do acesso oportuno à profilaxia pós-exposição e do compromisso de todos os setores envolvidos, incluindo a sociedade.

Nas Américas, os países alcançaram avanços históricos rumo à eliminação da raiva canina graças a décadas de trabalho conjunto. No entanto, ainda persistem desafios que tornam indispensável manter e fortalecer as ações de vigilância, prevenção e controle, sob a abordagem de Uma Só Saúde.

O Dia Mundial contra a Raiva constitui uma oportunidade para renovar o compromisso de governos, profissionais da saúde e da medicina veterinária, organizações internacionais, academia, sociedade civil e comunidades, a fim de garantir que nenhuma pessoa morra por uma doença que pode ser prevenida.

O tema da campanha de 2026: “Juntos somos mais fortes!” Chama a atenção para o fato de que todos têm um papel a desempenhar. A eliminação da raiva depende de uma ação coordenada em todos os níveis.

Quando as responsabilidades estão claramente definidas e os esforços estão alinhados, é possível ampliar a cobertura vacinal, fortalecer a vigilância, melhorar o acesso à profilaxia e proteger as populações mais vulneráveis.


Avanços na eliminação da raiva canina nas Américas:

Na região das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (PANAFTOSA/SPV-OPAS/OMS), lidera a coordenação do Programa Regional de Eliminação da Raiva Humana Transmitida por Cães, oferecendo cooperação técnica aos países desde 1983.

Graças ao compromisso dos governos e dos povos da região, ao trabalho colaborativo entre os países e ao apoio técnico da OPAS, as Américas alcançaram uma redução de 98% nos casos de raiva humana transmitida por cães, passando de 300 casos em 1983 para 11 casos registrados em 2025 e 2026 (até julho).

A raiva humana transmitida por cães é considerada uma prioridade pelos países da região, no âmbito da Iniciativa de Eliminação de Doenças 30+ da OPAS que estabeleceu o objetivo de eliminar a raiva humana transmitida por cães nas Américas até 2030.


A estratégia regional da OPAS promove:

– O fortalecimento dos programas nacionais de controle da raiva nos países;
– A implementação anual de campanhas de vacinação em massa de cães, com coberturas de pelo menos 80% da população canina;
– A melhoria do acesso, da disponibilidade e da qualidade dos imunobiológicos, tanto para as ações de vacinação de cães quanto para a profilaxia contra a raiva em pessoas;
– O fortalecimento da capacidade de diagnóstico laboratorial;
– A educação em saúde sobre a raiva para a população e sobre a guarda responsável de animais.

Garantir o acesso equitativo aos serviços de saúde e à profilaxia oportuna em comunidades desassistidas não apenas salva vidas, mas também contribui para o fortalecimento dos sistemas de saúde pública em toda a região.

Desde os anos 2000 até junho de 2026, o perfil da raiva humana no Brasil mudou significativamente. Os casos de raiva transmitida por cães, conhecidos como ciclo urbano da doença, foram drasticamente reduzidos devido a campanhas de controle da raiva em cães e à profilaxia antirrábica adequada para a população.

Apesar dos avanços no controle da raiva transmitida por cães, o país enfrenta novos desafios, com o aumento de casos de raiva humana causados por variantes do vírus rábico em animais silvestres, especialmente morcegos. Hoje, a transmissão por morcegos é a principal fonte de infecção da raiva em humanos no país.

Entre 2010 e 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no Brasil. Desses, 10 foram causados por mordidas de cães, 23 por morcegos, 12 por primatas não humanos, 2 por raposas, 5 por felinos, 1 por bovino e 1 por cervídeo. Na história dos casos de raiva humana no Brasil, apenas dois pacientes sobreviveram; todos os outros evoluíram para óbito.

O número de casos de raiva canina também caiu sensivelmente, de 635 em 2002 para 13 em 2025, e até junho de 2026, foram registrados 6 casos, envolvendo variantes de animais silvestres.


A raiva é uma doença grave causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que afeta mamíferos, incluindo pessoas. Ela provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, sua letalidade é de aproximadamente 100%.

É transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ocorrer também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças.

O período de incubação está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.

Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.


Sintomas da raiva humana:

Após o período de incubação, surgem sinais e sintomas clínicos inespecíficos, que duram em média de 2 a 10 dias. Nessa fase, o indivíduo apresenta:

– Mal-estar geral;
– Anorexia;
– Náuseas;
– Entorpecimento;
– Inquietude;
– Pequeno aumento de temperatura;
– Dor de cabeça;
– Dor de garganta;
– Irritabilidade;
– Sensação de angústia.

A pessoa pode apresentar inchaço nos gânglios (caroços no pescoço, axila ou virilha), sensibilidade ou dormência ao longo dos nervos perto do local da mordida, além de mudanças no comportamento.

A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e complicadas, como:

– Febre;
– Delírios;
– Convulsões;
– Espasmos musculares involuntários generalizados.

O paciente se mantém consciente, com períodos de alucinações, até a instalação do quadro de coma e a evolução para óbito. O período de evolução, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é, em geral, de 2 a 7 dias.


Prevenção:

A melhor medida preventiva é a vacinação pré ou pós exposição. Quando a profilaxia antirrábica não ocorre em tempo oportuno e a doença se instala, pode-se utilizar o Protocolo de Tratamento da Raiva Humana, baseado na indução de coma profundo, uso de antivirais e outros medicamentos específicos. Entretanto, é importante salientar que, diante de uma doença em que a letalidade é de praticamente 100%, os pacientes, mesmo submetidos ao protocolo, raramente sobrevivem, ressaltando a importância da prevenção.

A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais, o que consequentemente previne também a raiva humana. Recomenda-se, ainda:

– Evitar aproximar-se de cães e gatos sem dono, principalmente se estiverem comendo, com filhotes ou dormindo;
– Nunca tocar em morcegos ou animais silvestres, especialmente se estiverem caídos no chão ou agindo de forma estranha.


Como parte das atividades alusivas ao Dia Mundial, em 28 e 29 de setembro de 2026 acontecerá o I Seminário Integrado do Dia Mundial Contra a Raiva – um encontro voltado à discussão científica, vigilância, prevenção e estratégias “One Health” no enfrentamento da doença, promovido pelo Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.


Mais informações, cronograma e inscrições estão disponíveis no Instagram oficial do evento


Fontes:

Global Alliance for Rabies Control (GARC)
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde 2
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)



Termos e Condições de Uso | Política de Privacidade