NEOPLASIAS

ACESSIBILIDADE AOS SERVIÇOS DE SAÚDE; REGIONALIZAÇÃO DA SAÚDE; HOSPITAIS ONCOLÓGICOS

076
DUARTE, L. S. et al. Regionalização e regulação: impacto na acessibilidade ao tratamento de câncer. Revista de Saúde Pública, v. 60, p. e9, 2026. Disponível em Scielo

OBJETIVO: Avaliar o impacto das Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS) e da Regulação de Oncologia na acessibilidade geográfica ao tratamento oncológico dos principais tipos de câncer no estado de São Paulo. MÉTODOS: Estudo antes-depois, comparando os triênios anterior (2007–2009) e posterior (2017–2019) à implementação das políticas. Utilizaram-se dados do Registro Hospitalar de Câncer de São Paulo para analisar indicadores de deslocamento e atração de pacientes para cirurgia, radioterapia ou quimioterapia em seis tipos de câncer: estômago, colorretal, pulmão, mama feminina, colo do útero e próstata. As RRAS foram adotadas como unidades geográficas de análise, e os deslocamentos inter-RRAS foram categorizados em quartis (< 25%, 25%–49%, 50%–74% e ≥ 75%). Análise temporal foi realizada por mapas temáticos (QGIS, versão 3.28) e teste de qui-quadrado (α = 5%). RESULTADOS: Aproximadamente 25% dos pacientes se deslocaram para tratamento. As RRAS 6 (Capital), 9 (Bauru) e 13 (Ribeirão Preto) mantiveram-se como polos de atração. No Norte e Noroeste, as RRAS 11 e 12 apresentaram redução nos deslocamentos para todos os tipos de câncer; na RRAS 10, a queda ocorreu para tumores colorretal e pulmão. No Sudeste, as RRAS 3 e 5 não possuem serviços habilitados, exigindo deslocamentos, enquanto as RRAS 1, 2 e 4 mantiveram elevados percentuais. No Leste, as RRAS 14 a 17 registraram redução dos deslocamentos, exceto para câncer de pulmão. No Sul, os deslocamentos aumentaram nas RRAS 7 e 8. No geral, houve redução nos deslocamentos para câncer de colo do útero e próstata, e aumento para pulmão, especialmente cirurgia. CONCLUSÃO: A implementação das RRAS e da Regulação de Oncologia alterou a acessibilidade geográfica de forma heterogênea: houve melhora no Norte e Noroeste, piora no Sul, e estabilidade dos polos de referência. Destaca-se a necessidade de aperfeiçoamentos no planejamento regional, com atenção às desigualdades territoriais, ao tipo de tumor e à modalidade terapêutica.


TEMPO PARA O TRATAMENTO; ATRASO NO TRATAMENTO; DESIGUALDADES DE SAÚDE; FATORES SOCIOECONÔMICOS; ACESSIBILIDADE AOS SERVIÇOS DE SAÚDE

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ABREU, M. de et al. Inequalities in time to cancer treatment initiation over a decade in Brazil. Revista de Saúde Pública, v. 60, p. e12, 2026. Disponível em Scielo

OBJECTIVE: To evaluate access to treatment for cervical (CVC), colorectal (CRC), thyroid (CT), and central nervous system (CCNS) cancers that differ in incidence, prognosis, early detection program, and in their requirements for high-complexity and technologically advanced treatments. METHODS: Data from Integrador RHC INCA (2013–2022) were extracted. Sociodemographic and clinic characteristics and time diagnosis-to-treatment were analyzed using multinomial logistic regression and cumulative incidence function. RESULTS: 395,225 cases of cancers were identified, CRC = 168,951, CVC = 141,189, CT = 57,755 and CCNS = 27,330. Patients with CCNS and CRC had higher cumulative probability (CPob) of treatment initiation within 60 days compared to CVC/CT. The North region was less likely to receive treatment within 30 days for all cancers (odds ratio — OR: CCNS = 0.34; CVC = 0.30; CT = 0.17; CRC = 0.49). Radiotherapy showed a lower chance of earlier treatment for all cancers (94% lower CCNS; CVC = 48%; CRC = 81%). There was a greater chance of treatment initiation within 30 days for patients with higher education for CVC (OR = 1.42); CT (OR = 2.09). White individuals demonstrated a consistently higher CPob of treatment initiation at 60 days for all cancers compared to Black (CCNS: 60% versus 49%; CVC: 37% versus 29%; CT: 32% versus 21%; CRC: 52% versus 45%). For CT, males had a higher CPob of treatment 37% in males compared to 30% in females at 60 days). For CRC, CPob of treatment initiation at 60 days was higher among individuals at younger (60% compared to 46% for those aged > 69 years) and clinical stage IV (56% compared to stage 1 — 45%). CONCLUSION: In Brazil, patients requiring multimodal treatments or therapies demanding technology, such as radiotherapy or chemotherapy, faced longer delays. Regional and sociodemographic disparities persist, with timely access to cancer treatment limited in socioeconomically disadvantaged regions, such as the North and Northeast, among Black patients and individuals with lower education.



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