“Romper o fardo invisível” : 14/9 – Dia Mundial da Dermatite Atópica 2026
O Dia Mundial da Dermatite Atópica, celebrado anualmente em 14 de setembro, foi criado em 2018 com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a doença em todo o mundo, por meio de uma iniciativa coordenada pela European Federation of Allergy and Airways Diseases Patients’ Associations (EFA) e pela International Alliance of Dermatology Patient Organizations (GlobalSkin).
A campanha representa o esforço da comunidade de pacientes para:
– Construir um movimento global pela conscientização, mudança e melhoria de vidas;
– Empoderar grupos de pacientes com mensagens e materiais para que suas vozes sejam ouvidas;
– Apoiar e honrar pacientes, suas famílias e cuidadores;
– Levar informação ao público geral para aumentar a compreensão sobre a condição e seu impacto.
A dermatite atópica, também chamada de eczema atópico ou eczema, é uma das doenças de pele mais prevalentes no mundo e uma das menos reconhecidas. Acomete mais de 230 milhões de pessoas globalmente, causando dor crônica, além de encargos sociais, emocionais e econômicos, já que a maioria dos aspectos da vida dos pacientes, como trabalho, escola e sono, são fortemente afetados.
Apesar do seu significativo custo humano e econômico, muitas pessoas – incluindo os decisores políticos – ainda a consideram “apenas uma erupção cutânea”. Ela permanece incompreendida, marginalizada e pouco reconhecida nas políticas de saúde. É frequentemente excluída das estratégias de saúde, das disputas por financiamento e dos indicadores estatísticos, resultando em uma lacuna na compreensão do seu real impacto na população e nos sistemas de saúde.
O tema definido para 2026, ”Romper o fardo invisível”, representa um apelo à ação para implementar as mudanças políticas necessárias para reduzir o peso enfrentado diariamente por pacientes com eczema atópico e apoia a Resolução sobre Doenças de Pele adotada pelos Estados-Membros na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, que reconhece as “Doenças de Pele como uma Prioridade Global de Política de Saúde”, que destaca especificamente o risco de subestimar o impacto das doenças de pele. Oferece uma oportunidade para defender a conscientização sobre os custos médicos, sociais, econômicos, de saúde pública e financeiros associados à condição.
Configura-se, ainda, como um forte chamado para transformar a referida Resolução em ação nos níveis nacional, regional e global. Representa uma estrutura sólida que permite que pacientes e organizações de pacientes em todo o mundo apresentem suas reivindicações e solicitações por mudanças nas políticas públicas.
A dermatite atópica é considerada uma doença crônica e de base genética, onde indivíduos com histórico familiar de alergias, como asma e rinite alérgica têm maior probabilidade de desenvolvê-la. Além disso, fatores ambientais como exposição a alérgenos, poluentes e mudanças climáticas também podem contribuir como desencadeantes.
Afeta pessoas de todas as idades, principalmente crianças, cerca de 20% delas sendo que 5% apresentam a forma mais grave. Aproximadamente 60% dos casos se iniciam no primeiro ano de vida.
Coceira intensa (quase insuportável), pele muito ressecada, placas vermelhas e infecções de pele são as principais características. Em bebês, as lesões predominam no rosto, pescoço e couro cabeludo. Em crianças maiores, adolescentes e adultos, a dermatite atópica atinge as grandes dobras do corpo como porção anterior dos cotovelos, região atrás dos joelhos e pescoço.
Aproximadamente 70 % das crianças que apresentam a doença na infância evoluem com remissão na adolescência, embora alguns casos permaneçam até a vida adulta. Menos comum é o surgimento da dermatose na fase adulta.
Sintomas:
A característica principal é a pele seca com coceira constante, o que leva a ferimentos causados pelo ato de coçar-se.
Em geral, há períodos de melhora e recaídas frequentes, podendo haver intervalos de semanas, meses ou anos, entre uma crise e outra.
A coceira pode causar ferimentos que facilitam a contaminação por bactérias, principalmente o Staphylococcus aureus. Entretanto, infecções por outros agentes podem ocorrer, como as causadas por vírus, principalmente o do Herpes simples e infecções fúngicas.
Tratamento:
O objetivo do tratamento da dermatite atópica é o controle da coceira, a redução da inflamação da pele e a prevenção das recorrências. Devido ao ressecamento da pele, a base da terapia é o uso de emolientes ou hidratantes. Isso porque a hidratação é fundamental para melhorar a barreira de proteção natural da pele. Pacientes devem ser orientados a aplicar esses produtos várias vezes ao dia.
O manejo da dermatite atópica exige uma rotina rigorosa, que inclui:
– Banhos rápidos, de três a sete minutos, com água morna;
– Uso de sabonetes sintéticos, formulados para peles sensíveis e que limpam sem remover toda a barreira lipídica;
– Hábito de hidratação diária e logo após o banho, para “selar” a umidade;
– Uso dos medicamentos, sob supervisão médica, respeitando a dose e o tempo indicados pelo profissional.
As alterações na aparência da pele e a coceira persistente comprometem a qualidade de vida e provocam mudanças de comportamento, alterações do humor e do sono, e isolamento, que impactam o bem-estar emocional. Portanto, além dos cuidados com a pele e o uso das medicações indicadas, algumas pessoas podem precisar de acompanhamento psicológico.
Fatores que agravam a doença:
Suor excessivo, mudanças climáticas bruscas, banhos muito quentes, uso de sabonetes abrasivos e fricção mecânica (como pelo uso de buchas e esponjas) são gatilhos conhecidos para o ressurgimento das lesões ou sua piora. E até fatores emocionais, como uma noite mal dormida ou episódios de estresse, podem piorar o quadro.
Prevenção:
As medidas preventivas têm a finalidade de evitar as crises e o agravamento dos sintomas, não a doença em si. Melhorar as condições da barreira da pele é um dos pontos principais, o que é conseguido por meio do uso de hidratantes ou emolientes específicos para pele seca, sem fragrância e sem alguns conservantes na formulação.
Fontes:
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI)
European Federation of Allergy and Airways Diseases Patients’ Associations (EFA)
Global Allergy & Airways Patient Platform (GAAPP)
The International Alliance of Dermatology Patient Organizations (GlobalSkin)
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)