“Segurança do paciente na sepse: previna, reconheça, trate, reabilite” : 13/9 – Dia Mundial da Sepse 2026

O Dia Mundial da Sepse, celebrado anualmente em 13 de setembro, foi proposto pela Global Sepsis Alliance em 2012 e, desde então, eventos são realizados com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o problema em todas as partes do mundo.

No Brasil, durante todo o mês de setembro, o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), coordena as ações desta campanha que envolve a realização de atividades internas em hospitais, serviços de saúde e universidades, voltadas à conscientização dos colaboradores, pacientes, familiares e cuidadores.

O tema escolhido para a comemoração da data na região da América Latina é ‘Segurança do paciente na sepse: previna, reconheça, trate, reabilite’.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o país registra cerca de 400 mil casos de sepse em adultos anualmente; destes, 240 mil resultam em morte, o que equivale a uma taxa de 60%. No caso das crianças, há 42 mil ocorrências por ano, com 8 mil mortes, o que corresponde a 19%.


A sepse é um dos desafios de saúde mais urgentes do mundo, afetando milhões de pessoas todos os anos. Está associada a uma em cada cinco mortes em escala global, no entanto, continua sendo subestimada, pouco priorizada e carente de financiamento adequado. Diante desta realidade, a Global Sepsis Alliance definiu “Invista no combate à sepse: salve vidas”como slogan para as ações de 2026.

Sabe-se o que pode ser feito para salvar vidas! É possível:

– Prevenir infecções.
– Identificar a sepse mais precocemente.
– Fortalecer os sistemas de saúde.
– Capacitar profissionais de saúde.
– Desenvolver melhores métodos de diagnóstico e tratamento.
– Garantir que todos — onde quer que vivam — tenham acesso a um atendimento oportuno e de qualidade para tratar a sepse.

Mas nada disso acontece sem investimento. Por isso, neste Dia Mundial, governos, parlamentos, instituições financeiras internacionais, bancos de desenvolvimento, parcerias globais de saúde, doadores, organizações filantrópicas, financiadores de pesquisas e o setor privado são convocados a transformar compromissos em investimentos mensuráveis.

E para fortalecer ainda mais a importância da questão, a Aliança Global está lançando um documento que apresenta argumentos a favor de investimentos urgentes, identificando cinco prioridades:

– Investir em ações nacionais de combate à sepse: Desenvolver, financiar e implementar políticas e planos de ação com metas mensuráveis, vigilância, financiamento e mecanismos de prestação de contas.

– Investir em sistemas e profissionais de saúde: Fortalecer a capacitação dos profissionais de saúde, o reconhecimento precoce da doença, as vias de cuidado clínico, o diagnóstico, o acesso a medicamentos e oxigênio, a assistência de emergência e em terapia intensiva, os sistemas de referência e a reabilitação.

– Investir em ciência e inovação: Promover avanços em vacinas, diagnósticos rápidos, novas terapias, desenvolvimento e uso racional de antimicrobianos, medicina de precisão, tecnologias digitais, IA e inovações voltadas para contextos com recursos limitados.

– Investir nas pessoas, nos sobreviventes e nas comunidades: Ampliar o conhecimento público sobre a sepse e a importância da busca rápida por atendimento, investindo simultaneamente nos sobreviventes, na reabilitação, no suporte de longo prazo e no engajamento efetivo de pacientes e familiares.

– Investir na segurança sanitária global e na resiliência: Integrar a prevenção, a vigilância, a detecção precoce e o manejo clínico da sepse às estratégias de preparação para pandemias, emergências e crises humanitárias.


A Agenda Global para a Sepse 2030 estabelece uma ambição clara: prevenir pelo menos 12 milhões de novos casos e salvar pelo menos 2 milhões de vidas. Alcançar essa meta vai acelerar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à saúde, abrangendo a saúde materna, neonatal e infantil, a Cobertura Universal de Saúde, a resistência antimicrobiana, a segurança do paciente e a segurança sanitária global.

Como o prazo para alcançar os ODS até 2030 aproxima-se rapidamente, pressupõe-se que os objetivos de saúde não serão alcançados sem que a questão da sepse seja enfrentada.


Sepse:

O organismo humano está em constante alerta e luta contra agentes externos que podem prejudicá-lo, como bactérias, vírus, fungos e toxinas. Qualquer agressão provoca uma reação de defesa que, na maioria das vezes, limita-se ao combate desses agentes, sem danos associados.

Porém, em algumas situações, seja pela gravidade e agressividade do agente causador (especialmente alguns tipos de bactérias e vírus), ou pela magnitude da resposta do organismo, esse combate pode acarretar danos secundários à saúde do indivíduo. Ou seja, em resposta a uma infecção, o organismo acaba lançando mão de mecanismos de defesa que acabam por prejudicá-lo.

Trata-se de uma síndrome caracteriza pelo desequilíbrio entre o oxigênio disponível e o utilizado pelas células. Quando este desequilíbrio não é corrigido pode ocorrer disfunção única ou múltipla de órgãos e sistemas, associada à resposta do organismo frente a um agente infeccioso, que é o que se chama de sepse e, em casos mais avançados, choque séptico – popularmente conhecido como infecção generalizada – um estágio mais avançado e mais grave da sepse que acontece quando, apesar das medidas tomadas, o paciente não recupera a pressão arterial e não adequa o fluxo sanguíneo aos órgãos e sistemas.

A sepse e o choque séptico não tratados ou que não respondem bem às medidas adotadas podem levar ao óbito por falência de múltiplos órgãos. A mortalidade pode variar de 20 a 60% de acordo com a gravidade do caso, especialmente em pacientes que já se encontram internados em UTI, nos idosos, naqueles com algum grau de imunodepressão ou que já apresentam doença de base com comprometimento da saúde (falência hepática, câncer, diabetes, aids, transplantados, etc.). Porém, quando o tratamento é precoce e preciso, as chances de sobrevivência são boas.

A condição é uma emergência médica e precisa ser tratada de forma prioritária. Os sinais de alerta de infecção devem ser prontamente reconhecidos e valorizados, pois já denotam um comprometimento orgânico importante:

– febre ou diminuição da temperatura corporal;
– dificuldade para respirar;
– aumento da frequência cardíaca;
– sonolência;
– confusão mental;
– diminuição da produção de urina;
– pressão mais baixa que o normal, entre outros.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são medidas fundamentais para o controle da sepse e de suas complicações. Por isso, as primeiras horas de terapia são essenciais, e mesmo antes de identificar o agente infeccioso devem ser introduzidos antibióticos de largo espectro e outras medidas que diminuam a expansão da sepse, bem como medicamentos que estabilizem a pressão sanguínea e os níveis de açúcar no sangue.


Recomendações gerais:

O risco de contrair infecções que possam desencadear uma resposta inflamatória sistêmica com potencial de desenvolver sepse será menor se forem respeitados os seguintes princípios básicos:

– Lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
– Manter o esquema de vacinação das crianças atualizado;
– Evitar a automedicação e o uso indiscriminado de antibióticos;
– Não interromper o tratamento antes do prazo prescrito pelo médico;
– Lembrar sempre que a febre em crianças funciona como um sinal de alerta para procurar orientação médica.


Fontes:

Dr. Dráuzio Varella
Global Sepsis Alliance
Hospital Semper (MG)
Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
Rede D’Or São Luiz
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein



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