SEGURANÇA DO PACIENTE
GESTÃO DA SEGURANÇA; CONDUTA DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO; CULTURA ORGANIZACIONAL; PESQUISA SOBRE SERVIÇOS DE SAÚDE
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PESSOA, G. R. et al. Segurança medicamentosa: avanços e desafios rumo à excelência nos hospitais brasileiros. Cadernos de Saúde Pública, v. 42, p. e00120325, 2026. Disponível em Scielo
Este trabalho analisou a evolução das práticas de segurança medicamentosa no Brasil, no período de 2016 a 2023. Estudo retrospectivo documental, a partir dos relatórios da Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente. Os dados foram coletados a partir dos gráficos de Pareto nacionais e analisados à luz da Teoria de Pareto, a qual evidencia os elementos mais vitais, responsáveis por 80% dos problemas. Constatou-se que 68% dos hospitais brasileiros com leitos de UTI aderiram à avaliação das práticas de segurança do paciente até 2023. Entre 21 indicadores, em média, 12 práticas vitais foram identificadas como fontes de não conformidades. O grau de conformidade foi maior no domínio estrutura em comparação a processo. A segurança medicamentosa esteve entre as fontes mais críticas de não conformidades. Entre 2016 e 2019, obteve melhora progressiva com redução de não conformidades de 9% para 5,82%. Contudo, a partir de 2020, tendeu à estagnação, com percentual de não conformidades mantido em cerca de 6% até 2023. A interrupção do progresso pode ser atribuída à pandemia de COVID-19, que desviou esforços e recursos para o enfrentamento da crise sanitária. Os resultados permitem compreender, com base empírica, avanços e limitações na adesão às práticas de segurança medicamentosa nos hospitais brasileiros, o que contribui para fortalecer o conhecimento sobre a maturidade atual da cultura de segurança no Brasil e subsidia a elaboração de estratégias de gestão eficazes para o SUS e para a segurança medicamentosa.
QUALIDADE DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE; CULTURA ORGANIZACIONAL
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GAMA, Z. A. da S. et al. Variabilidade da cultura de segurança do paciente em hospitais brasileiros: influência dos fatores contextuais. Cadernos de Saúde Pública, v. 42, p. e00052025, 2026. Disponível em Scielo
A segurança do paciente é um desafio estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS) e uma prioridade para a qualidade hospitalar no Brasil. Este estudo descreve a variação da cultura de segurança entre hospitais brasileiros e analisa se fatores estruturais e organizacionais podem explicar parte dessas diferenças. Foi realizado um estudo transversal com dados coletados em 2021 de 42.038 profissionais de saúde que atuam em 304 hospitais públicos e privados, distribuídos por todas as regiões do país. A cultura de segurança foi mensurada a partir da proporção de respostas positivas a 42 afirmações do Hospital Survey on Patient Safety Culture, um questionário internacional desenvolvido pela Agência para Pesquisa e Qualidade em Saúde dos Estados Unidos (AHRQ) e adaptado para o contexto brasileiro. As variáveis analisadas incluíram localização geográfica, tipo de gestão e porte hospitalar, por meio de regressão linear multivariada com reamostragem (bootstrap). Observou-se ampla variação entre os hospitais nas 12 dimensões avaliadas da cultura de segurança. Duas dimensões foram consideradas como pontos fortes (com médias superiores a 75% de respostas positivas), enquanto uma foi identificada como fragilidade (com média inferior a 50%). O modelo estatístico explicou 37% da variação e apontou como principais fatores associados a localização na Região Nordeste, a gerência pública indireta, o pequeno porte institucional e o status de hospital de ensino. Conclui-se que a cultura de segurança do paciente varia significativamente entre hospitais do país e está relacionada a características estruturais que podem ser alvo de políticas públicas e estratégias de gestão. Os achados fortalecem iniciativas como o Programa Nacional de Segurança do Paciente e oferecem subsídios práticos para a tomada de decisão no âmbito do SUS.