02/4 – Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo


 

Os Transtornos do Espectro Autista (TEAs) são uma condição de saúde caracterizada por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal. Entretanto, terapias adequadas a cada caso podem auxiliar essas pessoas a melhorar sua relação com o mundo para que conquistem seu lugar na sociedade.

Segundo dados do CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas. São mais de 300 mil ocorrências só no Estado de São Paulo. Contudo, apesar de numerosos, os milhões de brasileiros autistas ainda sofrem para encontrar tratamento adequado.

TEAs aparecem na infância e tendem a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, manifestam-se nos primeiros 5 anos de vida. As pessoas afetadas frequentemente têm condições comórbidas, como epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. O nível intelectual varia muito de um caso para outro, variando de deterioração profunda a casos com altas habilidades cognitivas.

Embora pessoas com TEAs possam viver de forma independente, existem outras com deficiências severas que precisam de atenção e apoio constante ao longo de suas vidas. As intervenções psicossociais baseadas em evidência, tais como terapia comportamental e programas de treinamento para pais, podem reduzir as dificuldades de comunicação e de comportamento social e ter um impacto positivo no bem-estar e na qualidade de vida desses indivíduos, seus familiares e cuidadores. As intervenções voltadas para pessoas com TEAs devem ser acompanhadas de atitudes e medidas amplas que garantam que os ambientes físicos e sociais sejam acessíveis, inclusivos e acolhedores.

Sintomas:

De acordo com o quadro clínico, os sintomas podem ser divididos em 3 grupos:

– Ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
– o paciente é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
– domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite levar a vida próxima do normal.

Tratamento:

O autismo é um transtorno crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar. Envolve a intervenção de médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e educadores físicos, além da imprescindível orientação aos pais ou cuidadores. É altamente recomendado que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção personalizado, pois nenhuma pessoa com autismo é igual a outra.

Pessoas com Transtornos do Espectro Autista não se reduzem às características descritas nos manuais de psiquiatria ou nas classificações estatísticas de doenças, pois são indivíduos, seres humanos, pessoas plurais, diversas e únicas.

São vizinhas/os, colegas, familiares, estudantes, trabalhadoras/es etc. Autismo não tem cara, por este motivo se acirram as invisibilidades que sofrem, além do fato do espectro também ser atravessado por dispositivos de exclusão relacionados à classe, às condições econômicas, à cultura, ao gênero, à etnia e raça, entre outros marcadores sociais.

 

O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, 02 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, com o propósito de difundir informações e enfrentar os preconceitos e estigmas existentes em relação às pessoas com autismo. Essa data (e para além dela) pede reflexão, aprofundamento e diálogo.

Nos últimos anos, grandes progressos foram feitos no aumento da conscientização e aceitação do autismo, não apenas graças aos que trabalharam incansavelmente para trazer a experiência vivida de pessoas autistas para o mundo mais amplo, mas também aos profissionais médicos, pesquisadores e acadêmicos de muitos países que estão incorporando o paradigma da neurodiversidade, cunhado pela socióloga Judy Singer no final dos anos 1990, em seus trabalhos.

A temática para a campanha de 2023, de transformar a narrativa: contribuições em casa, no trabalho, nas artes e na formulação de políticas, diz respeito a afastar-se da ideia de curar ou converter pessoas autistas e, em vez disso, focar em aceitar, apoiar, incluir e defender seus direitos.

Esta é uma grande transformação para os autistas, seus aliados, a comunidade mais ampla da neurodiversidade e o mundo em geral e permite que as pessoas autistas reivindiquem sua dignidade e autoestima e se integrem plenamente como membros valiosos de suas famílias e sociedades.

Como parte das comemorações, a ONU e o Instituto de Neurodiversidade, sediado na Suíça, promovem um evento virtual no domingo, 2 de abril, das 10h às 13h EST: “Transformação: Rumo a um mundo neuroinclusivo para todos”. Inscreva-se aqui!

O encontro será transmitido pelo Canal das Nações Unidas no You Tube e pela UN WebTV.

O evento é organizado em estreita colaboração com pessoas autistas de todo o mundo discutindo como a transformação na narrativa em torno da neurodiversidade pode continuar a ser promovida para superar barreiras e melhorar a vida das pessoas com autismo. Também abordará as contribuições que essas pessoas dão – e podem dar – para a sociedade e para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

 

Fontes:

Associação de Amigos do Autista
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo
Lei nº 12.764/2.012, institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista
Organização das Nações Unidas (ONU)
Revista Espaço Aberto: Universidade de São Paulo
Unidade Interdisciplinar de Políticas Inclusivas (UPI)/Universidade Federal de Viçosa